Somos o Universo

 Aos astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Jeremy Hansen e Christina Koch, obrigada por cumprirem a missão Artemis II com coragem e sucesso.

Às estrelas,  os vermes, os sapos, as cobras e os felinos, que nos lembram do ciclo inevitável da vida.

A você — o universo. Não apenas o cosmos, nem só o espaço infinito, mas você, que lê estas palavras. Você, que transforma letras em significados, significados em sentimentos, e sentimentos em existência.

Perceba: você está vivo. E, de alguma forma, o universo fala com você.




    Você escolheu jogar o jogo, e está jogando bem.

    E está enfrentando o universo, testando suas leis, entendendo como ele funciona, curioso ou entediado com sua imensidão.

    Você está entendendo o seu lar, está encarando o céu noturno com tédio, ou com admiração, tentando ver até onde pode ir enquanto ainda testa os limites.

    Talvez você tenha medo do que existe além da atmosfera, ou medo do que está sob o oceano, ou medo do que está logo ao lado.

    Nós somos o universo.

    E o universo está vivo. Contando histórias, olhando para você.

    Somos partículas de poeira flutuando em uma rocha no espaço. Quão incrível e absurdamente existencial isso é? Viver em uma rocha, conversar com outras pessoas sobre isso, observar as centenas de milhares de bilhões de estrelas no céu noturno, sabendo ou não que muitas delas já morreram. Saber que as centenas de milhares de bilhões de átomos em nossos corpos são feitos dos mesmos elementos que as estrelas.

    Por que dizemos que, quando alguém morre, se torna outra estrela no céu?

    Por que sentimos a necessidade de dizer às crianças que elas vão flutuar para sempre no espaço? Eu não gostaria de viver para sempre.

    Por que temos tanto medo do fim, quando ele está sempre nos seguindo? Não nos assombrando, nos seguindo.

    Estamos conscientes da efemeridade das coisas vivas. Plantas morrem, alimentos estragam, estrelas morrem, celulares deixam de funcionar. Por que não poderíamos morrer também?

    Algum dia, algum verme estará se alimentando daquilo que restou de nós. Isso é assustador? Talvez. Mas precisamos pensar assim. Precisamos ser realistas, não pessimistas nem otimistas.

    Precisamos pensar porque, como eu disse antes, somos o universo.

    Algum dia, morreremos. Não nos tornaremos outra estrela no céu.

    No entanto, estaremos nas árvores, na brisa.

    Nossos passos vão desaparecer, algum dia, mas o universo, a Terra, o planeta vão se lembrar de você, mesmo que você tenha que partir.

    E enquanto alguém — ou algo — lembrar de você, isso é o que importa.

    Isso é estar vivo.

    Até que os vermes sejam comidos por sapos, e as cobras comam os sapos, e os felinos comam as cobras.

    Estaremos vivos.   

    Seremos lembrados.

    E somos o universo, somos sonhadores com memórias de estrelas.

    E o universo disse: eu te amo.

    Diga de volta.

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